Aprendizagem segundo a neurociência.
Aprenda como utilizar os saberes da neurociência para potencializar as suas aulas e aumentar a aprendizagem dos seus estudantes.
TEMÁTICAS ATUAIS
Allan Pacheco
3/5/20244 min read


Como professores, conhecer o funcionamento do cérebro é fundamental. Isto nos ajudará a criar estratégias mais eficazes de ensino, potencializando a aprendizagem, caso contrário, poderá facilmente ocorrer muito ensino e pouca aprendizagem. É dentro deste contexto que a neurociência assume um papel fundamental.
O que é aprender segundo a neurociência?
Segundo o site institutoneurosaber.com.br “a neurociência é um ramo multidisciplinar (neuropsicologia, neurociência cognitiva, neurociência comportamental, etc.) que consiste no estudo sobre o sistema nervoso, suas funcionalidades, estruturas, processos de desenvolvimento e alterações que possam surgir no decorrer da vida”.
Você pode agora estar se questionando o que seria então aprender? Do ponto de vista do senso comum, aprender é o processo de adquirir ou incorporar novos conhecimentos, habilidades, valores ou comportamentos, seja por meio da experiência, do estudo ou da prática. A neurociência colocou um elemento novo a esta conceituação ao afirmar que aprender significa criar novas conexões cerebrais e fortalecer as que já existem. Isto ocorre segundo dois princípios básicos: aquisição de um novo conteúdo (memórias operacionais de curto prazo) e retenção deste conhecimento (memória de longo prazo). Uma real aprendizagem só ocorre, do ponto de vista da neurociência, quando há a consolidação de uma memória. Unindo as duas conceituações podemos dizer que aprender é o processo de adquirir, incorporar e consolidar novos conhecimentos, habilidades, valores ou comportamentos, seja por meio da experiência, do estudo ou da prática.
Critérios de consolidação da memória
Ocorre que a aquisição, seleção e consolidação de uma memória ocorre a partir de alguns critérios de assimilação, como nos ensina o professor Adriano Freitas em sua canal de podcast Neurociências:
Envolvimento emocional: é preciso despertar a emoção no aluno. Um impacto emocional positivo é capaz de selecionar e consolidar uma memória entre as inúmeras memórias operacionais existentes. A emoção produz dopamina e noradrenalina (hormônios neurotransmissores) no sistema nervoso central.
Motivação: para que seu cérebro se motive a realizar uma atividade, ela tem que parecer resolvível e agradável. A possibilidade de sucesso para a realização de uma atividade é fundamental, caso contrário haverá perda de motivação.
Significação e contextualização: o novo conteúdo deve ter relação com o saber que o aluno já possui e deve estar atrelado à sua vida, às suas experiências.
Necessidade de uso: é preciso dar ao cérebro a noção de importância de uma determinada memória, pois ele deleta as memórias que não são úteis, liberando uma quantidade X de neurônios e enzimas para a retenção de uma novas memórias.
Proximidade com o sono: é durante o sono que as memórias de trabalho ou de curto prazo são consolidadas e transformadas em memórias de longo prazo. Por isso é necessário reforçar aquelas memórias que se quer consolidar antes de dormir. As informações adquiridas ou reforçadas próximas ao sono tendem a ser mais consolidadas do que aquelas obtidas mais cedo. Desta forma, um novo conteúdo tem que ser transmitido, assimilado, trabalhado e revisado no mesmo dia.
Reverberação: é a repetição de estímulos. Isso pode ocorrer de duas formas: pela decoreba (porém decorar conteúdo sem entendê-lo pode ser inútil) e através de revisões periódicas (Retrieval Based Learning), desta forma as memórias que são constantemente reforçadas ficarão armazenadas por mais tempo.
A neurociência na sala de aula
Podemos resumidamente afirmar então que o cérebro humano aprende por associação, repetição e pela emoção. O papel do professor é o de criar uma experiência de aprendizagem significativa, utilizando estratégias pedagógicas que utilizem estes elementos. Vale ressaltar que as memórias humanas são de natureza associativa, ou seja, elas não são armazenadas isoladamente, mas sim, associadas uma às outras, ligando fatos e coisas, formando uma cadeia de informações. É mais fácil memorizar uma informação associada a outra informação do que isoladamente. Para isso você pode associar uma informação ou conteúdo a uma imagem; criar uma história com as informações que se quer reter; musicalizar a informação ou ainda criar frases com as letras iniciais das palavras-chave que se queira consolidar.
Por onde começar? Como que, enquanto professor(a), posso incorporar os ensinamentos da neurociência em minhas aulas tornando-as mais produtivas? Segue abaixo algumas dicas:
Divida cada aula em três momentos: instrução (exposição), interatividade (exercícios de fixação) e interação (troca entre os alunos).
Inicie a aula com um elemento provocador, despertando a curiosidade e a atenção de seus estudantes.
Promova a significação e a contextualização do conteúdo o máximo possível, relacione sempre ao saber que seu estudante já possui e ao seu contexto social.
Mostre uma utilidade ou importância real daquele conteúdo para a vida do estudante.
Revise os principais conteúdos trabalhados ao final de cada aula e solicite que seus alunos façam uma revisão do conteúdo antes de dormir.
Termino esse texto com as palavras de Paulo Freire quando nos diz: “ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para sua produção ou a sua construção. Quem ensina aprende ao ensinar e quem aprende ensina ao aprender”.
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